Sobre Gercia Wannick

GÉRCIA
Seu nome, Gércia Divina da Costa, nascida em Águas Claras – MS, em três de abril de mil, novecentos e trinta e três. Foi a filha natural mais jovem do casal Aloysio e Abadia Wanick.
Viveu sua infância e mocidade na cidade de Três Lagoas – MS, em companhia de seus pais e irmãos.
Teve seu caráter formado e construído com os mais sólidos princípios do amor pela família, da bondade, da simplicidade, da honestidade, do desapego ao poder financeiro da matéria com moral e estrutura ética.
Teve três irmãs naturais: Nair, Iracema e Violeta. Teve também três irmãos por afinidade: Luzia, Aloysio e Marcos Antônio. Amou a todos sempre e de forma incondicional.
Contraiu matrimônio na mesma cidade de Três Lagoas, com o jovem militar Juarez Francisco da Costa, nascido em Mafra – SC, em onze de maio de mil, novecentos e trinta e um. Desta união nasceram quatro filhos: Lilian, Léslie, Juarez e Jean (pela ordem cronológica decrescente de suas idades).
Seu esposo Juarez foi seu único e grande amor. Esperamos que hoje, no plano espiritual em que ambos se encontram, tenham finalmente compreendido que um amor de tamanha intensidade não pode jamais ser desperdiçado, nem por quem dá e nem por quem recebe.
É sobre esta mulher maravilhosa, esta mãe magnífica que tentaremos falar neste pequeno emaranhado de palavras, que não tem a pretensão de descrevê-la, pois esta é uma tarefa impossível.
Quem teve a felicidade de conhecê-la sabe que tentar descrever um ser tão belo fica limitado a dar vida a meras palavras que o sonho humano alimenta. Mas apesar de não ser possível expressá-la em sua plenitude, ninguém que a tenha conhecido, deixará de compreender tudo que aqui se materializa.

UMA BELEZA SIMPLES E INTANGÍVEL
A beleza que a natureza lhe proporcionou era algo incomparável. Foi uma belíssima mulher, tanto na análise física como naquela que contempla a personalidade, o caráter e a bondade de um ser humano.

Foi uma mulher dotada de uma beleza com os ares da felicidade mesclada das nuances mais puras da simplicidade. Sua alegria era contagiante. Sua risada, inesquecível.
Sua beleza era idêntica à beleza da rosa, que nos concede o poder de ver as cores do arco íris. Seu sorriso largo e sincero nos dava a visão de um botão da roseira depois de cada neve. Suas palavras certas e carinhosas nos dava a promessa do sol depois de cada tempestade e sua bondade sempre nos deixou clara a presença do amor de Deus.
 Juarez Francisco da Costa, quando jovem

 Gercia com seu pai Aloysio Wannick

Casamento de Gercia com Juarez

UMA MÁQUINA DE COSTURA


Ainda na época de solteira, e porque a família era formada de mulheres profissionais da costura, ganhou de seu pai, uma máquina de costura. Esta máquina lhe acompanhou por toda a vida, até seu último dia neste plano existencial.
Mesmo em épocas mais contemporâneas, quando adquiriu uma máquina mais sofisticada e movida a motor, ela sempre preferiu confeccionar suas costuras com a máquina antiga, presente de seu pai.
Pode-se dizer que foram muitos e muitos anos, em que ela passou debruçada sobre a velha máquina, confeccionando roupas para suas clientes ou para seus filhos. Se sobrasse tempo e tecido, podia ser cogitada a hipótese de confeccionar um vestido para si.
Algum tempo após sua partida, o filho mais jovem, Jean decidiu restaurar a máquina, para que pudesse preservá-la como uma peça de valor sentimental incontável.
E assim foi feito.  Ficou linda! Permanece até hoje na sala principal da casa em que ela morou. É uma peça de rara beleza e de incomparável valor sentimental, pois basta olhá-la para conseguir enxergar nossa mãe produzindo peças maravilhosas com suas mãos de fada.
É uma das mais belas lembranças materiais que ela nos deixou.

OS PIJAMAS IGUAIS...
Na medida em que o tempo passava e os filhos com suas demandas naturais cresciam, ela criava mecanismos e ferramentas para suprir muitas necessidades domésticas e de suas quatro crianças.
Logo procurou o aprimoramento na arte da costura com sua mãe e suas irmãs Iracema e Nair.
Como já possuía a máquina de costura dada por seu pai, não só costurava para freguesas que lhe contratavam a confecção de vestidos e outras peças, mas também para ela mesma e seus quatro filhos.
Algo que ficou gravado em nossas mentes era que, com a aproximação do inverno, ela procurava a loja que estivesse vendendo flanelas e pelúcias pelos menores preços. Contudo, por ser produto com preço menor, geralmente não havia variedade de estampas.
E, desta forma, ela retornava para casa exultante de alegria, carregando aquele enorme fardo de flanela. Dali pra frente passava dias e noites, debruçada sobre a máquina de costura confeccionando nossos pijamas. Todos iguais, mas eram maravilhosos, eram o carinho e o amor de mãe em forma de roupas idênticas para nos aquecer nas noites de inverno.

Gercia e Juarez, com os 4 filhos em Guaíra - Paraná










ESTÓRIAS DA BRANCA DE NEVE
Uma das lembranças mais irremovíveis de nossos corações é aquela que envolve a estória da Branca de Neve e os Sete Anões.
Ainda em sua época de solteira, ela compôs um álbum de figurinhas que contava toda a estória da Branca de Neve e os Sete Anões. Este álbum é lindo e existe até hoje.
Com os quatro filhos em idade infantil, ela agrupava-se com as crianças em volta do fogão à lenha para aquecê-los nas noites frias de inverno.
E, nesta roda ela começava a contar a estória da Branca de Neve. E, na medida em que o conto evoluía, ela ia apresentando as figuras do álbum. Os quatro pares de olhos brilhavam em face das chamas que brotavam do fogão, num misto de ansiedade e interesse pela estória.
Ao chegar ao final da estória, todos choravam pela separação que ocorria entre Branca de Neve e os anões.
Mas, com o passar do tempo e ao perceber que o choro era inevitável ela criou um novo final para a estória, dizendo que faltou a última página do álbum, na qual a Branca de Neve retornava para o convívio com os anões.
Este álbum tem o poder de lembrar que tivemos uma mãe que preferia mudar o curso dos acontecimentos, do que ver brotar ingênuas e inocentes lágrimas nos olhos de seus filhos.


UMA CAIXA DE LÁPIS DE COR
O incentivo constante aos seus filhos para que estudassem era uma peculiaridade dessa mãe.
Apesar de não ter alcançado níveis escolares mais elevados, ela era dotada de uma cultura e de um conhecimento extremo da vida, e sempre passava aos seus filhos, que o estudo e o conhecimento eram a chave que abriria as portas para um belo futuro para nós.
Mesmo contando com parcos recursos financeiros, ela criava condições para que seus filhos pudessem frequentar a escola.
E, nesta linha de produção, pode-se listar desde a eventual confecção de cadernos na máquina de costura até a reciclagem de calças usadas de seu marido, que eram transformadas em uniformes escolares.
E ainda, como forma de incentivar seus filhos frente aos estudos, sentava-se com eles à noite, nas horas destinadas aos deveres escolares de casa, e ajudava-os nos trabalhos que envolviam desenhos, mapas geográficos, figuras geométricas, etc.
Em uma dessas noites, sua filha Léslie desabafou com sua mãe seu inconformismo por lhe ser fornecido anualmente, uma única caixa de lápis de cor, contendo apenas seis lápis, seis cores...., quando na verdade, ela gostaria de ter uma daquelas caixas, contendo vinte e quatro cores, que tinha a cor “rosa”, o “cinza”, o “vinho”, etc., e que as outras meninas da escola possuíam.
Então sua mãe lhe disse: Não se preocupe, pois agora você está usando aquilo que nós podemos comprar, mas que servirá de trampolim para você ser uma ótima profissional e poder comprar tudo aquilo que você tiver vontade de ter.”

O tempo passou. Os anos voaram. No dia em que a sua filha Léslie graduou-se em Direito, sua mãe lhe deu um pacote bem embrulhado para presente, dizendo: “Minha filha, estou lhe dando o símbolo daquilo que um dia representou um sonho para você, mas, que doravante, representará o alcance de todos os seus objetivos”.
Ao abrir o pacote tão bem embrulhado, a Léslie se deparou com a linda e bela caixa de lápis de cor com vinte e quatro cores. Lá estava ela! Linda, maravilhosa! Na forma do sonho da infância.
Infelizmente, a caixa se perdeu em uma das tantas mudanças e viagens que esta filha fez ao longo de sua carreira profissional, mas a mensagem passada por sua mãe vive em seu coração, como se o presente dado e as palavras ditas fizessem parte de seu próprio ser.
 Gercia na praia, em janeiro de 1990
 Gercia e Juarez, na comemoração dos 25 anos de casamento










DOIS PERFUMES SEM NOME E SEM VIDRO
Não é possível lembrar-se dela sem que chegue ao nosso olfato a lembrança de dois perfumes que nunca foram envasados, nem foram rotulados e nunca foram comercializados, o que é lamentável e até mesmo inadmissível.
Um deles brotava das mesas dos almoços dominicais. Era o cheiro maravilhoso que saía da travessa de macarrão com molho de tomates e se unia ao perfume que brotava da travessa com a galinha preparada em pedaços, puxada no próprio molho.
Este perfume tomava conta da cozinha até contagiar toda a casa, era o perfume que tinha o cheiro da felicidade.
O outro surgia das tardes em que chegávamos da escola, cansados dos longos caminhos percorridos a pé face às adversidades da chuva, do frio ou do sol escaldante do verão.
Do forno do fogão à lenha já se podia sentir o perfume dos biscoitos de polvilho que assavam, adquirindo lentamente, um tom dourado semelhante ao brilho do por do sol.
Misturava-se a ele, o cheiro doce e aconchegante que surgia na fumaça que escapava do bule cheio de chá de erva cidreira.
Este perfume transformava nossa simples mesa de madeira rústica, em um banquete real. Ele tinha o cheiro do amor e dos tempos idos e vividos, mas que, não estão excepcionados das implacáveis leis da natureza, que não permitem aos mortais uma segunda chance, ou uma rápida e fugaz visita ao passado, apenas para termos uma segunda oportunidade, e nela vivermos só mais uma vez aquilo que foi tão belo.
Por estes motivos é que estes perfumes deveriam ter sido envasados e rotulados, pois hoje seriam mais valiosos para nós do que os mais raros e sofisticados perfumes criados pelos laboratórios europeus.
Gercia em viagem, com sua filha Lilian e família.

UM CASACO DE PELE PARA UM BEBÊ

Um dos objetos mais especiais para ela era o casaco de pele, deixado por sua falecida irmã Violeta. O valor sentimental era imenso e ele era conservado de forma absolutamente diferenciada das demais peças de seu guarda roupas.
Apenas em ocasiões especialíssimas, o casaco de pele era retirado do armário, utilizado com muito cuidado, e depois carinhosamente ele retornava ao seu lugar, absolutamente inatingível para as crianças.
Até que certo dia, o adorado casaco de pele teve uma utilização bastante diversa daquela que até então vinha tendo.
Em dois de julho de 1.963, num dos mais rigorosos invernos que já atingiram a cidade de Curitiba/Pr. nasceu o seu último filho: Jean Pierre.
E, diante de temperaturas tão baixas e das poucas cobertas que guarneciam o lar, ela e sua mãe (companheira inseparável), decidiram envolver o recém nascido Jean no tão famoso e querido casaco de pele.
Anos mais tarde, no ano de 1982, também no mês de julho, ela usou elegantemente o mesmo casaco de pele para participar da missa de formatura no curso de Direito, de sua filha Léslie. Este evento já não ocorreu no Paraná, mas, na Igreja Matriz de Porto Alegre/RS.
Esta foi a última vez que o casaco foi usado.
Logo após sua partida, o filho Jean Pierre, fez questão que ficasse consigo o casaco de pele de sua mãe, que lhe protegeu das adversidades do frio na gelada noite em que veio ao mundo.
Gercia com sua mãe, Abbadia e sua irmã Nair, (Fiica)
Violeta,Iracema e Gercia
UMA PEÇA DE PORCELANA
Ela adorava as festas de final de ano.
Podia-se perceber a alegria mais intensa em seu dia a dia, na medida em que o dia de natal se aproximava.
Tudo era preparado seguindo um ritual: a montagem da árvore de natal; a organização do presépio; a organização da casa; a administração dos pedidos de presentes feitos por seus filhos, e até a chegada fictícia do Papai Noel na noite do dia 24 de dezembro.
A organização da ceia de natal era feita com muito carinho e cada detalhe era observado. A casa era tomada pelos aromas maravilhosos que vinham da cozinha, principalmente quando o peru de natal já estava no forno.
Mas, a vida não era tão fácil e nem tão simples. Houve um natal em que as compras, por mais simples que fossem não aconteceram e o peru de natal não chegou nem mesmo a ser cogitado.
Ao perceber a questão, sua filha Lilian, que visitava os pais no final do ano, dirigiu-se a um supermercado e lá comprou um belíssimo peru de natal. Chegou em casa e entregou-o a sua mãe, que emocionada chorou muito antes de começar a preparar o assado para a noite de natal.
O tempo passou e outros finais de ano chegaram. Em um deles, lá estavam a filha Lilian e sua família, até que chegou o momento de desembrulhar os presentes.
E, foi então que as lágrimas brotaram, mas desta vez dos olhos de sua filha mais velha. O presente que sua mãe lhe dera era uma belíssima travessa de porcelana com o desenho de um peru de natal em alto relevo.
Esta foi a forma que ela utilizou para demonstrar a sua filha, a materialização do sentimento de amor e gratidão pela atitude inesquecível que sua filha teve, ao perceber tamanha tristeza de sua mãe num dia de natal.
A peça de porcelana, guardada como lembrança, por Lilian.

Mãe - Uma fada!!!
Sua filha Lilian conta que é assim que considerava sua mãe, nos tempos da adolescência, lembrando-se que de um pedaço qualquer de tecido ela conseguia criar um lindo vestido para ela e sua irmã Léslie e assim satisfazer os desejos de duas adolescentes desejosas de participar de alguma festa com os colegas de escola. Hoje ela medita que realmente teve aqui no plano terrestre uma “mãe fada”.
Lembrou-se nessas meditações que, na ocasião de sua formatura de Ensino Fundamental, não foi possível comprar o tecido para fazer o seu vestido e participar do baile. Então, a mãe dedicada falou-lhe:
“Filha, você terá muitas oportunidades de freqüentar bailes, pois esta é só a sua primeira formatura”. Foram, com certeza, palavras carregadas de uma enorme sabedoria de uma “mãe fada” , pois não só foi possível realizar seus sonhos de festa e formatura como também poder, com a graça de Deus, participar das belas festas de formatura de seu esposo Olmir ,de seu filho Álder e de sua filha Liliane.

A TERCEIRA IDADE NA CASA MAIS ADORADA
No curso de sua existência, mormente depois que contraiu matrimônio, teve seu domicílio e residência em várias cidades. Morou com seu marido e filhos em inúmeras casas e apartamentos.
Cada lugar teve suas peculiaridades, suas características. Contudo, a morada que mais lhe cativou, foi a última: a casa localizada no Parque Residencial Igara, na cidade de Canoas, região metropolitana de Porto Alegre/RS.
Ela era apaixonada por esta casa, talvez por ter sido o lugar, em que pela primeira vez, sentiu-se segura e não mais vulnerável e suscetível aos desejos e vontades de proprietários/locadores de imóveis, que abrupta e inesperadamente solicitavam a desocupação dos mesmos.
Foi neste lugar, em Canoas que ela viveu até seus últimos dias.

Foi nesta bela casa que ela se dividia e dedicava grande parte de seu tempo ao seu filho mais jovem e companheiro inseparável, Jean; a esperar ansiosamente a visita de seus outros filhos e netos; a cultivar suas belíssimas plantas e flores e a passar parte das tardes de verão deitada em uma espreguiçadeira no jardim, na companhia habitual de seus gatinhos de estimação, dois dos quais, vivem até hoje, no mesmo lugar.
UMA PARTIDA SILENCIOSA E SEM DESPEDIDAS
Ela sempre foi um ser que guardava suas lágrimas, dores e sofrimentos em uma caixa blindada pelo silêncio.
Muitas e muitas vezes ela era surpreendida, por um dos filhos, em algum canto isolado da casa, enxugando com a ponta do avental, lágrimas que teimavam em rolar pelo seu rosto.
Poucas foram as ocasiões em que conseguimos um desabafo, que expressasse os motivos daquele pranto. Qualquer técnica, qualquer manobra era válida para não contagiar um filho com sua tristeza.
E, foi assim que ela partiu.
Seguindo para o hospital ao lado de seu filho Jean, debruçou-se lenta e silenciosamente sobre o painel do carro em movimento, mas já não mais respondia às perguntas de seu filho; seu pulso também cessou e sua pele adquiriu uma temperatura tal qual aquela que precede a chegada sorrateira da inevitável força natural que nos arranca compulsoriamente a vida.
Daquele momento em diante, as tentativas médicas utilizadas, foram meros meios artificiais e mecânicos de “manutenção” de vida, sem qualquer resultado eficaz.
Decorridas pouco mais que doze horas, seu coração deixou de obedecer às máquinas que teimosamente ainda ligavam-na ao nosso mundo.
Cercada por dois de seus filhos, ela partiu silenciosamente, da mesma forma com que, ao longo de sua vida, deixava correr suas lágrimas nos momentos de tristeza.
Sua partida natural ocorreu em 28 de novembro de 2005, mas por considerarmos as horas artificiais de vida que sobrevieram à decisão implacável da natureza, somos compelidos a admitir que sua partida oficial ocorreu no dia 29 daquele mesmo mês e ano.
Partiu como sempre viveu: discreta e serena.

VERSOS DISPERSOS NASCIDOS DA DOR
Na semana seguinte a sua partida, sua filha Léslie, vivendo um inconformismo que até hoje persiste, escreveu algumas palavras dispersas, que formaram versos despidos de qualquer técnica, mas que tentaram descrever a dor maior vivida por alguém que perde um ser amado:
E ela se foi...e com ela foi minha alma
Agora, ambas já seguem distantes...
E a falta que me fazem, transcende minha mente.
Deixou em meus olhos a lágrima que embaça as cores, que pinga o verso e tatua o poema da vida.
Com certeza, hoje minha mãe tem a liberdade dos pássaros, e pode abraçar todos os raios do sol.
Posso vê-la atravessando iluminados arcos de luz.
Com certeza, só partiu porque no céu faltava uma estrela.
E, para subir uma estrela, caíram sobre o mar os meus jardins suspensos.
E extinguiu-se a canção que era a voz da vida.
Restou um vazio sem forma, que guarda apenas a voz do meu silêncio...
Hoje, uma pequena parte destes escritos está gravada em uma placa de bronze, que identifica o jazigo e morada definitiva do corpo de sua mãe. Fica no Cemitério Jardim da Paz, na cidade de Porto Alegre/RS.
É um lugar inteiramente coberto por um belíssimo e encantador gramado, repleto de belíssimas árvores e caramanchões de flores. Um pedaço mágico de terra, cujos canteiros de flores lembram aquelas que eram tão bem cultivadas por suas belas e delicadas mãos.
E, apesar de ter decorrido um lapso de oito anos de sua partida, seu filho Jean ainda preserva suas plantas e flores, principalmente suas orquídeas.
E sempre que elas florescem, seus galhos cedem gentilmente os seus mais belos exemplares. Seu filho, então, as leva e enfeita a última morada de sua mãe, com as flores, que um dia, através de suas mãos encantadoras iniciaram seus ciclos de vida.
Estamos certos que hoje ela passeia por belos campos floridos e tem sua morada em um espaço de paz eterna, que Jesus Cristo lhe reservou.
Reiteradamente, sob um sol nascente infinito ela se reúne com sua mãe, avó e suas queridas irmãs e entabulam intermináveis debates sobre as melhores técnicas para fazer a barra invisível de um vestido; ou para bordar uma blusa, cheia de pedrarias e lantejoulas, em tempo recorde.
Mas, de repente, alternando o assunto, discute-se sobre uma nova receita de Pão- de- ló, que é mais trabalhosa, mas, infinitamente mais deliciosa. Isso, sem falar naquele pudim de claras, decorado com cerejas naturais.
Seu pai e os demais membros masculinos da família que também já partiram, espiam a reunião a uma certa distância. O assunto, aos olhos deles é incompreensível e babilônico.
Mas também sabemos que, em meio a este burburinho de falas, risadas, receitas culinárias e técnicas de costura, ela olha para o infinito e em seu espírito surge a lembrança terrestre das tardes em que esperava seus quatro filhos chegarem da escola, para servir-lhes dourados biscoitos de polvilho regados ao perfume incomparável do seu chá de erva cidreira.
  Mãe, você foi o mais belo paradigma de mulher e de mãe que eu conheci. Sonho em poder um dia encontrá-la novamente. Onde estiver, saiba que o mais belo evento da minha existência foi poder ser sua filha, conhecê-la e conviver com alguém que amei e amarei tanto...e pra sempre. Léslie

“ A vida não passa de uma oportunidade de encontros; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas tem o abraço, as almas tem o enlace.” 
                    ( Victor Hugo )

Mãe: Você já tem a oportunidade desse enlace com as almas que lhe foram queridas no plano terrestre. Um dia todos nós teremos essa mesma oportunidade. Espero um dia encontrá-la para esse enlace.
Sua filha Lilian que jamais a esquecerá.
Gercia em sua última visita,a sua irmã Iracema, em São José dos Pinhais - Paraná.
Texto: Escrito por Leslie, com a colaboração de Lilian, e aprovação dos irmãos, Juarez e Jean.
Proibido copiar ou reproduzir fotos e textos, sem autorização, de acordo com a lei nº9.610de19.02.1998.
Fotos: Arquivos de Família.


Gercia 4ª filha de Abbadia e Aloysio Wannick


Gercia ,Fantasiada de Espanhola



Gercia com Iracema
Com suas irmãs Violeta e Iracema

Gercia e Iracema

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